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Blog do Marco Aurélio Cabral
 


 

 

O mundo vive um momento histórico. Fidel renuncia ao comando em Cuba. Para alguns se perpetua a idéia de que o comunismo, assim como Marx teorizou, estaria chegando ao fim na ilha mais influente da história. Cuba, mesmo menor que o Estado do Ceará, carrega consigo o legado histórico de uma revolução que depôs e expulsou do país a maior potência do mundo, os gigantes estadunidenses. Mas o que chama a atenção na renúncia de Fidel Castro não é a renúncia em si, mas o valor simbólico embutido na figura do ditador.

 

Fidel é, sem dúvida, um ditador que gerou ao longo do tempo muita polêmica. Polêmica pela rigidez com que tratou o seu povo e, paradoxalmente, pela educação, esporte e saúde que garantiu à população de seu país. Como disse Lula ao saber da renúncia do ditador, “Fidel é um mito”. E é mesmo. Desde 1959, quando Fulgêncio Baptista foi expulso daquele país, e com ele a prostituição, o tráfico e os barões que exploravam a miséria do povo, Cuba tornou-se única.

 

Certamente, com a renúncia de Fidel, quase nada vai mudar. Mudar para continuar o mesmo, essa é a sensação. O irmão de Fidel, Raul Castro, assumirá o poder. É bom que se diga que Raul Castro é mais radical e até sectário do que o próprio irmão. Raul é comparado a Tche Guevara, que também lutou ao lado de Fidel na revolução cubana, e é um homem idealizado e amparado pelos autos dos dogmas comunistas. Talvez a idade não lhe seja mais benevolente para a manutenção de um Estado comunista nos dias de hoje, com embargos econômicos e “ilhado” pelo capitalismo. Isso só o tempo vai dizer.

 

O que o mundo assiste agora é a renúncia de um Fidel que já não se sente capaz de lutar contra o gigante que tanto combateu ao logo da vida. O castrismo está em ruínas, e é assim com todo governo e, sobretudo, com as ditaduras. Mas, na ilha, aquele povo agora se sente sem pai, sem afago, sem a proteção de um líder que tanto lutou pela dignidade e a igualdade (mesmo controversa). O revolucionário agora sai de cena, 49 anos depois de tomar o poder, com a certeza de ter deixado a sua marca no espaço e no tempo. Relembro as palavras de Fidel num tribunal do júri em 1958, depois de preso pelo governo de Fulgêncio: “Podem me considerar culpado, mas a História me absolverá”.

 

 



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 12h43
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A retórica dos incautos

 

A prefeitura de Fortaleza lançou um mini-curso de estilismo para travestis e transsexuais. A oferta do curso gerou polêmica entre alguns amigos jornalistas. Uns acham excludente o fato de a prefeitura (entidade autônoma da organização político-administrativa brasileira) promover qualificação para uma parcela mínima da sociedade. Eu e você, por exemplo, que não fazemos parte desse nicho social, estariamos excluídos do benefício. O argumento é válido, mas pouco atento à realidade que nos cerca.

É comum a sensação de inércia social dos agentes públicos. Não obstante, é fundamental um discurso construtivista num país que não dá dignidade ao povo. Não é possível mudar a mentalidade e/ou a forma de lidar com a coisa pública, porque esse é um dever de cada cidadão, até nos mais distantes rincões.

Ações emergenciais são importantes e includentes. Oferecer cursos de capacitação a uma camada excluída da sociedade é dar condições aos que vivem o presente, de ter dignidade. Um travesti de 29 anos não deve ter lá grandes esperanças de conseguir um emprego, um trabalho formal ou coisa o valha. Não podemos ser utópicos com discursos comunistas, quando somos apenas um estado eleitoralmente democrático num universo de capitalistas.

Igualdade, como dizia Marx, consiste em tratar desigualmente os desiguais... 



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 10h07
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Uísque duplo, seco e sem gelo

Esperar é necessário. O que não pode ser feito hoje, talvez também não possa ser feito amanhã ou não possa feito nunca. Mas é necessário esperar. Conter os impulsos, refletir sobre as dadas questões e se perder no mar calmo da contemplação: assim pode continuar a nossa história. A mesma história que ja vingou tantos homens sob uma razoável explicação, mas que não se justifica em si. A violência estúpida que correu as linhas do nosso tempo.

No entanto, grandes manifestações de amor e impulsos apaixonados ainda fazem parte da nossa história. Tudo isso ja foi comprovado por você e por mim. Mesmo assim é necessário esperar. Esperar e tentar ser calmo, parcimonioso e equilibrado. Justificar nossas convicções com argumentos pertinentes, mas que ponderem os diversos aspectos de um simples enunciado. Ponderar para poder ser justo.

O que nos torna um pouco melhores é a capacidade de equalizar situações e sentimentos. Sem grandes manifestações de amor extremo ou grandes atos de maldade. Porque isso ja foi comprovado nos cartapácios do tempo das sociedades antigas e ainda das que se dizem de tempos vindouros, efêmeros e instáveis.

nota explicativa: Depois que a socilogia e a psicologia invadiram os botecos, não existem mais culpados de nada. Se somos bons ou ruins, não interessa, existe uma compreensão social ou psíquica pra isso. O sujeito não matou porque é ruim, matou porque é vítima do "tecido social desgatado". O sujeito não é bom porque essa é a sua propensão natural, e sim porque o bem, a priori, é à si mesmo. Condicionados estamos.

Portanto, é preciso calma, irmão.  



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 15h05
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Por Ela (Parte I)


Qualquer coisa estranha no ar da cidade. Um rastro longo de indefinição passou na minha calçada. Do quinto andar dava pra ver até onde ia a escuridão. É certo que ela ja sabia que em nenhum lugar do mundo poderia encontrar um idiota, assim como eu. Fui tomado à reboque e o coração foi entregue às levadas Mardy Bum, estilo Artic Monkeys.

Eu não poderia imaginar que no edifício em frente ao meu moraria a mulher que mudaria a minha concepção sobre mim e o mundo e Deus e os outros. Topei com ela na caminhada matinal à beira-mar. Tudo em preto e branco, como um filme noir.

Depois da caminhada, o de sempre: "Me vê um mate bem batido com gelo?" A garota do quiosque fazia a combinação como ninguém. Foi lá que conheci Fernanda. Ela era delineada, acabamento perfeito, traços coloridos e livres. O rosto era equacionado. Nem mais, nem menos. Nuca, nariz, olhos e sobrancelhas perfeitas. Qualquer comparação não era equivocada, fazia parte daquele momento em que eu olhava pra ela e via o movimento dos lábios e sentia a voz aveludada como uma sucessão de sons combinados harmonicamente. Em fração de segundos tudo isso me enternecia. Fotografia perfeita, a cena.

Ela pediu um abacaxi/hortelã com adoçante. Imageticamente aquilo parecia um fato a ser documentado pela eternidade. Claro, ainda não era exatamente um fato. Precisava de uma atitude contundente, algo que fosse além da abstração dum sujeito que apenas observa o seu objeto de desejo e/ou contempla a beleza sem culpa alguma. Era preciso mais.

Disse "oi" sem hesitar se seria ou não correspondido com um sorriso, um bico ou palavra fria, insólita. Como não poderia deixar de ser, so agora paro pra pensar nisso, ela me respondeu com educação e uma pontinha de exibicionismo, tipico da mulher brasileira. Verão, praia e suquinho à beira-mar tem clima de romance, permita-me a pieguice.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 18h57
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YOU TUBE?

A falta de privacidade ganhou um adepto e tanto nos últimos 2 anos. O You Tube virou uma febre. Com ele é permitida a disseminação de videos de qualquer natureza. Tudo porque uns garotos de "vinte e poucos anos" resolveram compartilhar videos com a mesma facilidade que faziam com fotos e sons.

O site da ferramenta oferece opções inovadoras: videos com no máximo 10 minutos ou 100 megabytes, a opção de tornar os vídeos publicos ou privados ou uma fórmula de colocar o seu video favorito na sua pagina pessoal. O melhor de tudo é que os vídeos do you tube podem ser vistos facilmente e com bastante agilidade, dependendo da sua conexão.

A popularização de vídeos no site fez a revista "Times" enumerar itens que tornam o you tube, revolucionário: popularizar o uso de câmeras digitais(incluindo as de celulares) e o uso de sofwares de fácil uso; revolução que permitiu a qualquer pessoa do mundo divulgar seu material sem censura ou qualquer forma de pagamento.

O que torna o you tube mais interessante é a capacidade que esse site tem de gerar polêmicas. Lembram da Daniela Cicarelli no mar europeu com o namorado em plena atividade sexual? Saiu no You Tube. A loura processou o site, mas a liberdade e o direito à informação foram mantidos, ja que a praia é um espaço publico. Com toda essa divulgação boca-a-boca do youtube, o pessoal do Google resolveu comprar a ferramenta por uma bagatela de US$1,5bi. Eu teria pedido mais.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 10h58
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CONVERGÊNCIA DAS MÍDIAS

 

A internet, dadas as suas características, consegue agregar valores de outros veículos nela mesma. É simples. Hoje é possível entrar num site para ler uma notícia, antes só pensada para os jornais e revistas impressos. Até aí tudo bem. Hoje também possível ouvir um discurso, uma música ou qualquer outro trecho de áudio, como uma espécie de "ilustração mais avantajada" de uma determinada matéria jornalística. Até aí tudo bem também.

No entanto, é possível fazer muito mais do que textos e audios. A televisão também entrou nessa convergência de mídias encabeçada pela internet. Perdeu um capítulo de novela? globo.com. Não conseguiu ver aquela "rata" de um apresentador famoso no final da copa do mundo? you tube. Essa convergência é o sinal de que não existe mais um mantenedor de um único modelo de mídia. Agora tudo é plural.

Acredito que para se sair bem no mercado on line é preciso convergir mídias. É preciso dar dinamismo à informação e ao conteúdo. O leitor não aguenta mais so texto, so imagem ou só áudio. Ele quer mais. Quer todas as possibilidades. Quer o maior número de informação com maior qualidade e compreensão.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 10h32
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Iogurte Viciante

 

 

Quando eu ganhei meu primeiro computador com fax-modem, a moda era usar o video-papo, um serviço da antiga TeleCeará para usuários que desejavam se comunicar via rede. Depois surgiu o Mirc. Ah, esse sim foi o grande marco dos adolescente a partir de meados da década de 90. Ircontros, operadores de salas, masters, pvt, tudo isso era linguagem advinda do programa. Concomitantemente tinha um outro programa chamado ICQ, que foi logo substituído pelo MSN, que até hoje faz sucesso. Mas entre todos esses programas a idéia é mais ou menos a mesma, conversar via teclado com amigos "virtuais' ou "reais"(não desejo entrar no mérito de virtual x real).

 

O orkut sim, revolucionou. O amigo que você não econtra desde o maternalzinho ou aquele parente que você nunca teve a oportunidade de conhecer, eis a chance. O orkut é um site em que os usuários se cadastram e colocam fotos, dados pessoais e demais características, uma óde ao marketing pessoal.

           

Essa ferramenta imprime o que é a nossa sociedade hoje. Moderna pra uns, pós-modernas pra outros, mas os traços são comuns aos dois pólos: bisbilhotar a vida alheia é a máxima. Uma espécie de big brother virtual. Quero saber como meus amigos, amantes e inimigos se comportam. No orkut é possível ter contato com essas pessoas, sem perdê-las de vista. E outra coisa: vicia.

Escrito por Marco Aurélio Cabral às 19h29
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E agora como é que volta?

 

A melhor coisa que aconteceu no mundo da internet foram os sites de jornais e revistas on line. Ora, só o fato de não ter mais que folhear um amontoado de papeis, já é uma grande conquista. Mas, claro, não é só esse o motivo. O mais importante é a possibilidade de estar em dois, três, sites em um único momento. Poder lê-los sem o menor esforço e, além do mais, podendo selecionar o que se quer ver ou ter acesso às edições anteriores.

Outro ponto de destaque nos sites de jornalismo on line são os conteúdos extras. Uma "carta ao povo" na íntegra ou um manisfesto de um movimento, que não caberia nas paginas de um jonal ou revista. No site tudo é possível. Claro que a maioria dos jornais ainda não tem uma boa versão on line. Os maiores, com maior capital, podem investir nesse segmento que exige um leitor qualificado e atualizações diárias.

Algumas questões ainda levantam polêmica na composição desse debate. Uma delas é em relação ao "caminho" percorrido num site que muitas vezes fica difícil voltar. Quer dizer, numa matéria sobre improbidade de uma prefeitura tem link para uma investigação do TCM do ano anterior e uma outra para um prefeito preso dois antes e assim por diante. UFA! e agora como voltar? Na verdade essa não é uma dúvida so dos jornais on line, mas dos portais e dos sites de revistas. Acho que é uma questão de costume, permitam-me a modesta opinião.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 20h44
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Porque é preciso

 

Porque é preciso saber o que pensam de você
Porque é preciso ser você mesmo
Porque é preciso dizer enquanto a palavra dura
Porque é preciso ouvir para aprender
Porque é preciso ser forte na dor
Porque é preciso saber que o Lula mudou
Porque é preciso reconhecer o erro
Porque é preciso conhecer a sua idéia
Porque é preciso não se vender por migalha alguma
Porque é preciso saber que sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só
Porque é preciso ser livre

Porque tudo o mais não interessa.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 20h06
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Wikipédia: Tudo o que é novo traz desconforto

 

O universalismo da internet e suas milhões de possibilidades encontram abrigo nas idéias mais insólitas. Desta vez uma enciclopédia virtual e "aberta" põe em cheque outras tantas questões. A Wikipédia nasceu com o intuito de ser democrática. E é, de fato. Qualquer pessoa que tenha acesso à internet pode inserir verbetes e dissertar sobre qualquer assunto. Legal, é democrático. No entanto, como tudo o que é novo, essa enciclopédia também traz desconforto.

O que me garante que os verbetes inseridos sobre derterminado assunto estão corretos? Quem os escreveu? Um leigo ou um estudioso? Pois é. Essas questões são as grandes vilãs da história. Hoje em dia o site da Wikipédia virou uma grande fonte de informação, sobretudo para trabalhos escolares, acadêmicos e, como não poderia deixar de ser, para a imprensa. Preocupante, todavia.

Vamos imaginar no primeiro momento que quem escreve uma história, o faz sob um determinado ponto de vista. Na wikipédia é quase impossível saber quem foi o outor do verbete, porque este, muitas vezes, nem precisa se identificar. Nós sabemos que a história depende muito do lado que está contando.

Noutro momento penso no erro, propriamente dito. Datas, números, estatísticas. Tudo isso pode estar errado, se a índole do sujeito-autor lhe permite. É preciso ser crítico em relação ao Wikipédia. É preciso notar que consultar o site não passa de uma introdução a uma pesquisa mais aprofundada e categórica.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 11h18
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iê, iê!


Em meio à visita do Papa Bento XVI ao Brasil, deputados e senadores resolvem aumentar o próprio salário em quase 30%. A mídia simplesmente quase não comentou o fato. Um palavrinha ali, outra aculá, uma notinha aqui, um vtzinho...Nada demais.

O que me deixa abismado e descrente é que os salários deles são corrigidos de acordo com a oscilação inflacionária dos últimos quatro anos. Indexação, é a palavra. Opa! Mas o reajuste do salário mínimo e dos salários dos funcionários públicos por indexação é proibido por lei. Em se tratando de autoridades, a regra não se aplica. Dá pra aguentar?



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 20h33
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"Domingo quero te encontrar e desabafar todo o meu sofrer"

Hoje é domingo. Quase não há carros na rua. A sensação de insegurança não é só minha, as pessoas que me acompanham também sentem que não podem parar no sinal em plena luz do dia. Trancafiados estamos. Seguros? Talvez. Vidros com películas anti-impacto, travas elétricas e alarmes de última geração. Mesmo assim parei no sinal.

Na avenida Rui Barbosa me deparei com a publicidade de um prédio ainda em construção. Entre a metragem da área privada, a quantidade de compartimentos e área de lazer, estava a mensagem "Sistema Completo de Segurança". Nesse momento vislumbrei o que antes apenas conjecturava. Câmeras, muros e cercas  elétricas, viaturas 24h e homens fortemente armados. Bom lembrar dos tempos em que nada disso era necessário. As crianças brincavam até tarde na rua e a Aldeota ainda era uma ilha à margem (mesmo sendo central) da insegurança do resto da cidade. Isso não faz muito tempo. Coisa de dez anos atrás.
 
Imaginar que o valor de um imóvel está vinculado à localização é normal. De frente para o mar, nas dunas ou em bairros nobres sempre foram os critérios utilizados para encarecer uma casa ou apartamento. Mas esses pontos elencados começam a perder espaço para o critério de localização-mais-segura-possível-e-abençoada-por-Deus.

Bairros com um alto índice de assaltos e furtos têm seus preços reduzidos, o que gera descontentamentos profundos na hora da venda. Agora a bola da vez e o artifício da segurança. Isso sim pode alavancar o preço de um imóvel e torná-lo cobiçadíssimo.

É o preço da guerra, irmão.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 21h38
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Maioridade ao Debate

Diminuir a maioridade penal para 16 anos talvez seja um grito de insatisfação da classe média. Isso me ocorreu quando percebi que diminuir a idade de um sujeito ir para a prisão revela a falência completa de todas as possibilidades institucionais possíveis. Todas elas falharam. A família, o Estado, a Igreja. Todos falharam e a decisão agora é pôr na cadeia quem agora nos tira o sossegado habitual. Menores(ou crianças e adoslescente infratores, como manda o politicamente correto) que, faltando o mínimo em casa, procuram a rua em busca de comida, educação e um pouco de paz. Não as encontram, é verdade. Mas as procuram. Essa procura é, na maioria esmagadora das vezes, equivocada. O que eles encontram nas ruas são as piores tormentas, os maiores enganos. Nesses casos a violência e a criminalidade são uma recorrente. Tem gente que financia esse negócio.

E a classe média diz "Temos que colocar esses delinquentes na cadeia. São bandidos mirins que pensam como adultos. Cadeia!". Agora vamos parar para pensar. Quantos e quantos adolescentes não vão perder a oportunidade de um dia repensarem seus atos? quantas vezes você já não foi inconseqüente no calor dos seus dezesseis anos? E quantas vezes pensou que hoje não faria o que em outrora tinha como certeza? Difícil ter certezas nessa fase da vida.

Aqui não quero defender ninguém. Quero apenas questionar. Superlotar presídios com adolescentes de 16 e 17 anos talvez não seja a solução. Em vez de uma PEC que trate desse assunto, por que não combater fronteiras onde o tráfico inicia o financiamento da criminalidade? Por que não dar um bom salário, treinamento e boas condições de trabalho a um efetivo que nem de longe vive com dignidade? Repensar questões basistas  é fomentar o debate. É gerar soluções que não punam as grandes vítimas dessa história.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 12h11
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SEM EIRA NEM BEIRA

Então numa tarde de um dia desses eu caminhava a esmo na beira-mar de Fortaleza. De um lado o marzão num azul profundo a perder de vista. Do outro, o luxo, o dinheiro, a sofisticação da eterna mania fortalezense da belle epoque. Mas não é sobre essas minudências do capitalismo e/ou mais-valia da dialética marxista de que trata a minha falação. Explico.

Numa cidade como Fortaleza é difícil ter um bom lazer ou um bom espaço para as inutilidades cotidianas ou a manutenção de uma saúde estável, como diria o doutor Louis-Ferdinand Destouches. Uma praça, um pátio, um bosque ou um calçadão. Pois é, calçadão. Caminhar e fazer algum tipo exercício físico na beira-mar não é fácil, irmão. É uma grande batalha pelo espaço e outra para se manter de pé, sem cair. Primeiro que são muitos velhos, jovens, adultos, crianças, que caminham, correm, andam de bicicleta, patins, skate. Além de tudo isso, as quadras são lotadas, e os pátios e as calçadas também congregam vendedores de milho, acarajé e tapioca. Tudo ao mesmo tempo.

Mas é direito de todos, o lazer. Concordo. No entanto, é preocupante a aglomeração de atividades e fins tão diversos num único espaço. Ambiente turístico e cartão postal da cidade, diga-se de passagem.

É função do poder público zelar e organizar o espaço público. Os poderes que compõem a república devem agir de maneira integrada (ou não, dependendo do discurso) para que os espaços de lazer, e para outros de trabalho, não fiquem à mercê do tempo e da proliferação desenfreada de gente, de serviços e de consumo. Muitas vezes me pergunto se a questão é apenas governamental ou também cultural. Difícil socializar, né irmão?



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 17h05
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Até que Enfim!


O fato é que já era hora aparecer algum relatório que explicasse, pelo menos em parte, a confusão do reveillon organizado pela prefeitura de Fortaleza. O tribunal de Contas dos Municípios se antecipou na investigação e veio logo um panorama preliminar: depois da auditoria seis itens estavam irregulares. A contratação de iluminação, efeitos visuais, e demais utilidades para fazer o show estavam em desacordo com a lei de licitações. Mas o que mais chamou a atenção foram r$470.000 que simplesmente não têm razão de ser. É sintomático.

Na Assembléia os deputados que pediram a abertura da CPI vibraram com o relatório. O pessoal da prefeita não gostou nem um pouco, talvez nem eles mesmos acreditassem que ia sair algum relatório. Mas saiu. Augustinho Moreira e Nelson Martins quase enfiaram a cabeça debaixo da mesa. Ainda é só começo, diz a oposição.

Na câmara a história foi diferente. Os vereadores da base aliada da prefeita resolveram abafar o assunto. Só quem comentou o imbróglio foi o líder, Guilherme Sampaio, e o vereador Salmito Filho e ninguém mais. O bloco de oposição até tentou, mas com oito vereadores não pra nem pra desenrolar o embrulho (permitam-me o trocadilho).

O bom disso tudo é que o assunto voltou à tona e a prefeitura agora precisa dar boas explicações. Com esse documento, os Ministérios Públicos Federal e Estadual vão fomentar ainda mais as investigações. Segundo um Procurador que investiga o caso, "era o que faltava pra eu expor a minha opinião". Vamos esperar e cobrar. É o que nos resta.



Escrito por Marco Aurélio Cabral às 15h53
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